Para constatá-lo basta comparar os governos de direita dos presidentes Felipe Calderon (México) e de Sebastian Piñera (Chile), com os dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, Evo Morales (Bolívia), dos Kirchner (de Néstor e Cristina, na Argentina), José Pepe Mujica (Uruguai), e de Rafael Correa e de Hugo Chávez (Venezuela).
É só comparar e se constata que os de direita estão mal avaliados e são impopulares, ao contrário da média dos governos de centro, de esquerda e de centro-esquerda da região, todos praticamente já reeleitos ou elegendo sucessores como nos caso do Brasil, Uruguai e Argentina (esta com novo pleito em outubro, com Cristina Kirchner candidata à reeleição).
Mas, o caso mais emblemático mesmo é o de Piñera, eleito e empossado há pouco mais de um ano, período em que conseguiu o prodígio de se transformar no presidente mais impopular da história do país nos últimos 40 anos e o que mais despencou nas pesquisas de opinião pública desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet em 1990.
Piñera jogou o Chile num impasse
O presidente Piñera - sucedeu a Concertácion de centro-esquerda que governou o Chile por 20 anos - levou o país a um impasse e agora enfrenta manifestações que reúnem mais de um milhão de cidadãos e uma greve geral. Hoje mesmo as ruas de Santiago estão tomadas por mais de 200 mil manifestantes em protesto contra o seu governo.
O fato é que Piñera, mais de um ano e meio após sua eleição, até hoje não disse a que veio e seu governo vive em crise. Dilapidou rapidamente o patrimônio político com que chegou ao Palácio de La Moneda e provoca um dos períodos de maior instabilidade chilena, mas essa realidade só veio a público com a força das manifestações estudantis e agora populares.
Por que a crise chilena, tão latente desde a chegada de Piñera, não havia emergido publicamente até agora? Porque nossa mídia conservadora escondia a realidade do país andino. Escondia mesmo com o governo de direita do Chile afundando-se cada vez mais em sua caminhada na contramão da história e tendência no continente.
Tendência geral do continente: democracia e soberania popular
A vitória recente da eleição do presidente Humala Ollanta, no Peru, e a virada do presidente Juan Manuel Santos, na Colômbia, aproximando-se da União das Nações da América do Sul (UNASUL), da Venezuela e do Equador e mudando a política de direitos humanos e as relações com os Estados Unidos, só comprovam a tendência geral da época que vivemos, de uma América Latina democrática, soberana e popular.
E de um Chile mergulhado em profunda crise, convulsionado e que já não aceita os rumos de direita que lhe quer imprimir seu presidente.
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