Um interessante mosaico de experiências na Europa, Norte da África, Oriente Médio e Ásia encerrou o primeiro dia de Encontro Mundial dos Blogueiros, realizado em Foz de Iguaçu. E, entre os vários temas tratados, as manifestações sociais de protesto organizadas via redes sociais mundialmente foram o ponto alto das discussões.
Andrés Thomas Conteris, do Democracy Now em Espanhol (que circula nos EUA) chamou a atenção para o movimento Occupy Wall Street, de responsabilização dos que originaram a crise internacional de 2008/2009 e caminham para não serem punidos. “Occupy Wall Street é tão importante porque é aberto, independente de qualquer partido, governo, empresa ou corporação. E isso aumenta a força deles”, afirmou. Para ele, o movimento é uma mostra de que democracia é participação permanente, se não, vira “eleitocracia”.
Conteris puxou manifestações de exaltação à memória dos que morreram lutando pela democracia nas comunicações e pelas bandeiras ambientais. Um minuto de silêncio se fez, a pedido de estudantes venezuelanos que levantaram da plateia e cantaram pela resistência e defesa do socialismo.
Primavera árabe
A primavera árabe também ganhou espaço nas discussões do encontro, como era de se esperar. Ahmed Bahgat, do Egito, relatou detalhes da construção do movimento, como a decisão acertada de lidar de forma pacífica com perfis no facebook montados pelo governo de Hosni Mubarack para desestabilizar a onda de protestos.
“Fomos nos organizando em grupos secretos, identificando os perfis e mantendo uma discussão educada, evitando provocações. Sim, bagunçamos muito nossa rotina, mas buscávamos uma rotina melhor e uma forma de atingir as pessoas”, contou Bahgat, revelando que a situação ainda não está fácil no Egito.
O jornalista e colunista do Ásia Times Online, Pepe Escobar, profundo conhecedor das nuances do mundo árabe e islâmico que sempre foram escondidas do mundo Ocidental, praticamente deu uma aula magna da disputa de poder que está sendo travada do Norte da África ao Paquistão.
Arco de instabilidade
Segundo Escobar, os EUA trabalham para criar um “arco de instabilidade” nessa faixa, a partir da Primavera Árabe, momento perfeito na visão dos EUA —e dos seus parceiros da OTAN— para colocar em prática uma nova fase do plano desenhado a partir do 11 de Setembro: substituir os governos da região por novos aliados que patrocinassem novos acordos comerciais.
Para Escobar, recursos minerais e controle de pontos estratégicos também são objetivos norte-americanos. “A queda de Muamar Khadafi integra esse plano, que teve a França como pioneira e os EUA na retaguarda. O objetivo é retomar o controle do mediterrâneo”, sustenta Escobar, que vê a Síria como o próximo alvo dos EUA.
Com Blogs

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